Glossário do Envelhecimento Ativo

Glossário do Envelhecimento Ativo

O Glossário do Envelhecimento Ativo é constituído por uma terminologia gerada pela publicação “Envelhecimento Ativo: um marco político em resposta à Revolução da Longevidade”. Como todo glossário, este material reúne um conjunto de termos do campo do Envelhecimento Ativo, com o objetivo de apresentar os sentidos específicos e particulares de palavras e expressões utilizados neste contexto.

No lugar da tradicional definição de termos/expressões, realiza-se um extrato da descrição/conceituação desenvolvida na publicação, seguido do número da página onde se localiza na publicação.

Formato: “Termo/Expressão + descrição/conceituação + Número da página”.

Nos casos em que esse formato não é seguido, a descrição/conceituação resulta de síntese e não está entre aspas.

 

C

Capital Humano

“Os indivíduos que estão envelhecendo ativamente aproveitam as oportunidades que surgem ao longo da vida para alcançar e manter a saúde, uma ocupação rica em significado, relações sociais, novas habilidades, conhecimento e necessidades materiais. No nível pessoal, esses são recursos, ou tipos de “capital”, que quando acumulados ao longo do curso de vida, passam a ser os fundamentos para o bem-estar físico, mental e social em todas as idades. Quanto mais cedo esse acúmulo dos capitais vitais de saúde, geração de renda, redes sociais e conhecimento começar, melhor (122). Todos são interdependentes e se reforçam mutuamente.” p.42

 

Curso de Vida

Representação gráfica dos estágios da vida que correspondem à aprendizagem, trabalho e aposentadoria conforme organizada na era Bismarck e revisada para a Revolução da Longevidade. p.32

 

D

Determinantes do Envelhecimento Ativo

“Em 2002, no intuito de esclarecer os fatores múltiplos e interativos que determinam se a pessoa envelhece ativamente ao longo da vida ou não, a OMS promulgou um conjunto inter-relacionado de Fatores Determinantes do Envelhecimento Ativo (Fig. 9). A cultura e o gênero foram considerados como fatores determinantes abrangentes e transversais que moldam as pessoas e o meio em que estão inseridas ao longo da vida. Os fatores determinantes e os comportamentos pessoais são específicos de cada pessoa. O ambiente físico – os fatores determinantes sociais, econômicos, de saúde e de serviço social – constituem os fatores contextuais.” p.52 – 79

 

 

E

Envelhecimento Ativo

“O conceito de Envelhecimento Ativo da OMS captura essa visão positiva e holística do envelhecimento e a utiliza tanto como aspiração individual quanto como meta de políticas. Aplica-se igualmente a indivíduos e sociedades. A formulação inicial identificava a saúde, a participação e a segurança como componentes fundamentais do Envelhecimento Ativo. O conceito foi ainda mais refinado (21) com a adição da aprendizagem ao longo da vida como outro componente, conforme promulgado pela Conferência Internacional de Envelhecimento Ativo em Sevilha em 2010 e subsequentemente refletido em diretrizes políticas para a província espanhola de Andaluzia (121).’O Envelhecimento Ativo é o processo de otimização de oportunidades para a saúde, a aprendizagem ao longo da vida, a participação e a segurança para melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem.’” p.48

 

 

G

Gerontolescência

Conforme a Revolução da Longevidade ganha impulso, uma fase de transição contemporânea vai sendo engendrada, delineada mais por marcadores funcionais do que pela idade. Muitos observadores consideram que represente um estágio do desenvolvimento humano singular e sem precedentes. Foi também chamada de “final da meia idade” por alguns, em referência à manutenção da saúde e das atividades da meia idade e de anos “encore” para enfatizar a ideia de segunda chance e de novos direcionamentos para engajamento significativo. Foi também chamada de “gerontolescência” (21) para nos lembrar que a grande geração do baby boom, que atualmente a define, é também a mesma coorte que criou e definiu a construção social de “adolescência”. Essa geração incorpora características distintas. p.37

 

Gerontolescente

É a geração que lutou contra o racismo, a homofobia e o autoritarismo político, e a favor dos direitos da mulher, do empoderamento dos cidadãos e da liberdade sexual. É uma geração que se sente confortável em se fazer ouvir (21) e está reinventando a forma como se vive e se percebe a velhice. p.37

 

P

Pilar da Saúde

“O Envelhecimento Ativo adota a meta de melhorar a saúde da população e de reduzir as desigualdades de saúde para que se possa alcançar um pleno potencial de saúde ao longo da vida. Essa visão de saúde está firmemente enraizada no conceito e nas estratégias para a saúde articuladas ao longo de décadas pela OMS e universalmente consideradas como normativas. Saúde é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afeções e enfermidades” (129). É um recurso para a vida cotidiana. É uma “dimensão importante de qualidade de vida que precisa se alcançar não somente por meio dos serviços de saúde, mas também garantindo segurança e aprendizagem”, através de “paz, abrigo, educação, alimento, renda, estabilidade ecossistêmica, recursos sustentáveis, justiça social e igualdade” (16). Ao demandar ações de promoção à saúde, a Carta de Bangkok sobre a Promoção à Saúde demanda, inter alia, defesa baseada nos direitos humanos e na solidariedade, investimento nos fatores determinantes da saúde, práticas regulatórias para garantir o alto nível de proteção e o desenvolvimento da educação para a saúde como capacidade essencial (130).”  p.44

 

Pilar da Aprendizagem ao Longo da Vida

“A globalização e as rápidas mudanças na expansão da economia de conhecimento fazem com que a informação seja, hoje, o commodity mais valioso. (141). O acesso à informação é, portanto, chave para o Envelhecimento Ativo. A aprendizagem ao longo da vida é importante não somente para a empregabilidade, mas também para favorecer o bem-estar. É um pilar que sustenta todos os outros pilares do Envelhecimento Ativo. Nos instrumentaliza para permanecer saudáveis, relevantes e engajados na sociedade.” p.46

 

Pilar da Participação

“Participação é muito mais do que simplesmente ter um trabalho remunerado. Significa engajamento em qualquer causa social, cívica, recreativa, cultural, intelectual ou espiritual que dê significado à vida e promova um sentimento de realização e de pertencimento. “Participar” sustenta a saúde positiva, por favorecer o engajamento e a fluência de experiências que podem ser intrinsecamente satisfatórias, conferindo um sentimento de ter propósito na vida e constituindo oportunidades para relações sociais positivas (134). Ter propósito na vida contribui para diminuir o risco de morte em pessoas de todas as idades (145).” p. 47

 

Pilar da Segurança/Proteção

“A segurança é a mais fundamental das necessidades humanas. Na ausência dela, não podemos desenvolver plenamente nosso potencial nem envelhecer ativamente. A falta de segurança tem efeito corrosivo sobre a saúde física, o bem-estar emocional e o tecido social. Ameaças à segurança no nível social incluem os conflitos, os efeitos das mudanças climáticas, os desastres naturais, as epidemias, o crime organizado, o tráfico de pessoas, a vitimização criminal, a violência, o abuso e a discriminação interpessoal, bem como o declínio econômico e financeiro repentino e/ou prolongado (159). No nível do risco individual, há a doença, as mortes na família, os períodos de desemprego ou invalidez e a migração para fora da terra natal.” p.48

 

R

Resiliência

“O Envelhecimento Ativo pode ser definido de acordo com a atual perspectiva teórica de resiliência – ter acesso às reservas necessárias a se adaptar, suportar, e aprender com os desafios enfrentados ao longo da vida (123). Saúde, engajamento, redes, segurança material, conhecimentos e habilidades constituem as reservas para alcançar a adaptação e o crescimento pessoal que, por sua vez, levam ao bem-estar e à qualidade de vida. O Envelhecimento Ativo depende de vários fatores para construir as reservas para a resiliência. Esses fatores são parcialmente individuais, mas também refletem o contexto ambiental e social no qual a pessoa vive e envelhece. Uma sociedade genuinamente resiliente promove o desenvolvimento de uma verdadeira resiliência individual, o Envelhecimento Ativo, ao longo do curso de vida.” p.43

 

Revolução da Longevidade

“Revolução é o colapso da ordem social em favor de um novo sistema (…) A revolução da longevidade nos força a abandonar as noções existentes de velhice e de aposentadoria. Essa construção social é simplesmente insustentável diante do incremento de 30 anos de vida.” p.14