Diversidade na velhice – GeriatRio

Diversidade na velhice – GeriatRio

Nos dias 26 a 28 de outubro, Alexandre Kalache e Ina Voelcker participaram do IX Congresso de Geriatria e Gerontologia do Estado do Rio de Janeiro, o GeriatRio da SBGG RJ. O tema do congresso: Diversidade na velhice.

No primeiro dia do Congresso, Alexandre Kalache contribuiu à Tábula Rasa do Envelhecimento Bem-Sucedido, junto com a jornalista Mariza Tavares, a geriatra Ana Cristina Canêdo e a psicóloga Eloisa Adler. Neste painel, os vários conceitos do envelhecimento e a complexidade de defini-lo diante da grande diversidade foram discutidos. Os experts debateram principalmente sobre os conceitos do envelhecimento bem-sucedido e envelhecimento ativo, reconhecendo as diferenças entre os dois e levantando aspectos críticos de cada um. Ademais, conversaram sobre fatores determinantes do envelhecimento que vão muito além dos três grandes fatores de risco relacionados ao estilo de vida (alimentação, atividade física e uso de drogas/tabaco). Propósito, capital social e resiliência foram alguns dos termos destacados como pilares para envelhecer bem. Kalache repetiu a tão importante mantra: “quanto mais cedo nos preparamos, melhor; mas nunca é tarde demais”. Ana Cristina lembrou que estas mudanças individuais não dependem só do próprio indivíduo, mas também da sociedade em si e das políticas públicas. O trabalho da mídia, tradicional e social, foi identificado pelos palestrantes como essencial para desafiar os estereótipos existentes e criar sociedades mais propícias para favorecer o envelhecimento ativo ao longo do curso de vida.

No dia 28, Ina apresentou um trabalho que o ILC-BR coordenou junto com a InterAge Consultoria em Gerontologia. Trata-se de um projeto chamado “Vozes das Pessoas Idosas” que é uma contribuição à terceira revisão do Plano Internacional de Madri. O trabalho foi encomendado pela a HelpAge International e o Fundo de População das Nações Unidas. Foram conduzidos grupos de discussão com idosos de quatro municípios em quatro regiões distintas do Brasil. Nestes grupos os idosos discutiram sobre mudanças nos níveis locais, estaduais e nacionais e o impacto destas mudanças na vida cotidiana dos idosos. Ina também compartilhou os resultados de outros países. No total, o projeto deu voz a mais de 300 pessoas idosas em 12 países.

No encerramento, Alexandre Kalache e Ligia Py convidaram os profissionais de várias áreas a uma reflexão sobre diversidade e envelhecimento. Alexandre Kalache abriu o debate demonstrando as grandes desigualdades existentes na sociedade brasileira e a grande diversidade, mesmo entre os membros de um grupo populacional, pessoas idosas. Ligia Py lembra que, infelizmente, a diversidade também significa privilégios para alguns e discriminação para outros. Os dois também destacaram a falta de diversidade em congressos como este: a grande maioria são pessoas brancas. As provocações trazidas pela Professora Vanda Ferreira, na manhã do último dia do GeriatRio, alimentaram o encerramento e motivaram os poucos participantes negros a se manifestarem sobre o assunto, trazendo vida às discussões sobre discriminação e exclusão social.

Falando sobre a crise no Brasil hoje, os dois lembraram dos anos 60, quando lutaram muito e tiveram que superar várias perdas. Por outro lado, nesta época, eles tinham esperança que as coisas iam melhorar. Foi por isso que lutaram. Hoje, já acreditam que a situação está difícil, sem educação, sem saúde. Só resta a solidariedade e o respeito, inclusive das diferenças. Concluíram que a desigualdade e todas as dificuldades relacionadas nos dão uma responsabilidade enorme.

IMG_0355 IMG_0357 IMG_0356 IMG_0358 IMG_0354 IMG_0347

Photos: crédito SBGG-RJ